quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Recuerdos e mais recuerdos

Recuerdos

Nessa semana, voltou à pauta o Tribunal de Contas do Município - aquela cuja extinção eu defendo, assim como já defenderam vários de meus colegas... Houve uma CPI do TCM com conclusões arrasadoras, mas ficou tudo por isso mesmo... Para não ter de falar tudo outra vez, recuperei posts antigos sobre o tema. Aí vai um deles (o texto original está aqui)

Mais recuerdos

Aqui tem mais um capítulo antigo da “novela TCM”.

E aqui, a matéria da Folha, reproduzida no site da candidatura, que ressuscitou o assunto (ainda bem!) nos últimos dias.

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"Como eu comecei a dizer no post acima, sou contra o PL da Reforma Administrativa do TCM, por vários motivos.

Por exemplo, porque ele estabelece que:

§2º - A Função Gratificada fixa [sic] excluída do limite salarial previsto na Lei nº 12.477, de 22 de setembro de 1997.

Vamos à lei 12.477... Ela DISPÕE SOBRE A CARREIRA DA FISCALIZAÇÃO, ORGANIZA O QUADRO DOS PROFISSIONAIS DA FISCALIZAÇÃO-QPF, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

Ué... E por que foram pegar uma lei que fala do “quadro dos profissionais da fiscalização”? O que o TCM tem a ver com isso?
E qual é, afinal, o “limite salarial” previsto nessa lei?

Tá lá no Art. 93, que trata de “disposições gerais”: “O limite máximo de remuneração dos servidores municipais passa, a partir da data da publicação desta Lei, a ser o correspondente ao fixado pelo artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988”.

Ah, então fomos buscar em um artigo de uma lei municipal de 97 uma referência ao teto constitucional para vencimento de servidores públicos... Um pouco enviesado, não???

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O teto estabelecido na Constituição diz que, no município, o maior “salário” (o termo oficial é “subsídio”) deve ser o do prefeito. O texto é assim:

XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito. (...)

Aí vem um PL do TCM e diz, disfarçadamente, que as “funções gratificadas” não precisam respeitar esse inciso da Constituição. Aí acontecem aquelas coisas – um funcionário do TCM ganha três vezes mais que o prefeito... Se bobear, acaba ganhando mais que o Ministro do Supremo, que é o teto máximo da nação.

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Gratificações, em princípio, são temporárias. Mas a “função gratificada” se torna permanente depois de cinco anos, contínuos ou não.

E tem gratificação de quê, por que?

Tem, por exemplo, Art. 29 - A gratificação por serviço especial em Comissão de Licitação fica fixada em 10% do QTC-6 por reunião, limitada a 10 (dez) reuniões mensais, por servidor. Ou seja: jetton. Um adicional pago por participação em determinado tipo de reunião...

Tem também a (Art. 5º) Gratificação de Incentivo à Especialização e Produtividade. Para fazer jus a ela, o servidor terá de atender a pelo menos 3 dos seguintes pré-requisitos:

I - conhecimento e desempenho de suas funções de acordo com as metas a serem alcançadas;
II - empenho no exercício das funções e contribuição para o seu aperfeiçoamento;
III - aprimoramento através de cursos e estágios;
IV - desenvolvimento de liderança e trabalho em grupo;
V - participação em comissões e grupos de trabalho especiais;
VI - elaboração de trabalhos em sua área de formação profissional;
VII - prestação de apoio técnico e atuação como docente em cursos voltados ao aprimoramento do conhecimento dos servidores dentro de sua área de formação profissional.

Ou seja, se ele “conhece e desempenha as funções de acordo com as metas a serem alcançadas” (não seria essa uma obrigação básica?), se “empenha” no exercício das funções (idem...) e participa em “comissões e grupos de trabalho” (nada de tão excepcional), já pode receber uma gratificação de 38% (se ocupar “cargo ou função de nível superior”). Achei fácil demais, discutível demais...

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Além disso, transferem-se ou criam-se cargos que eu não tenho nenhum elemento para avaliar se são mesmo necessários. Claro que, se já não tivesse outros motivos para votar contra o PL, deveria me informar sobre eles para formar uma convicção.

Na verdade, a minha convicção é de que a própria existência do TCM é muito discutível. As funções executadas por ele podem ou devem ser exercidas por outras instâncias, outros órgãos públicos. O TCM, apesar do nome, não é um “tribunal” - é um órgão auxiliar do Legislativo. Ele emite pareceres e toma decisões que não equivalem a uma sentença judicial. E embora seja, em princípio, um órgão “técnico”, as nomeações dos Conselheiros são políticas – e vitalícias! E ele é caro, muito caro. Custa, por ano, quase a mesma coisa que a Câmara Municipal. Eu sou muito mais a favor da extinção do TCM do que da sua reforma administrativa...

PS2: Acabo de saber que a votação desse PL foi adiada. Fica para outro dia".

terça-feira, 16 de setembro de 2008

"Por que não falou antes?"??

Depois da minha Sabatina no Estadão, em que eu disse que a aprovação de Projetos de Lei na Câmara Municipal sempre se dá em função de algum tipo de acordo – e que existem acordos que atendem ao interesse público, e outros nem um pouco (como se fosse uma novidade para alguém!) – algumas pessoas reclamaram: “E por que ela nunca disse isso antes?”.

Ah, eu disse, e como disse... Muitas vezes. Por exemplo, em todas as edições dos meus balanços de mandato (livretos de prestação de contas que a gente batizou de “Gabinete de Bolso”). Foram feitas e distribuídas milhares de unidadesdeles, que também ficaram disponíveis no meu site em PDF.

Fiz um apanhado dos textos em que me queixei da Câmara, para facilitar a leitura dos interessados no tema. Veja aqui, em três partes: 1, 2 e 3.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

"Notoriedade"

Recebi a seguinte mensagem de alguém que assinou “Não Interessa da Silva”:

(Legal, né? O cara escreve para o meu email, mas esconde o dele... Ah, como é bom ser anônimo... Por que não bancar a própria opinião, assinando embaixo?)

“Sexta-feira, 12/Setembro/2008, 12:08:17 - Marta vira alvo de Alckmin, Kassab e até de Soninha no debate”

[É uma notícia da Agência Estado - Comentário dele:]

Quá, quá, quá... "ATÉ". Para mim significa que qualquer um ataca a Marta em busca de alguma notoriedade, ATÉ a Soninha.

Sabe qual foi o “ataque”? Eis a notícia completa:

SÃO PAULO - A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, foi o alvo das críticas no segundo debate da TV Bandeirantes. Até a ex-petista Soninha Francine, do PPS, duvidou da afirmação de que Marta fez 100 quilômetros de corredores de ônibus. "Eles começaram a ser feitos desde a gestão do Covas", afirmou. O prefeito Gilberto Kassab, candidato do DEM, e a petista polarizaram a discussão no terceiro bloco, defendendo as respectivas gestões. Marta acusou Kassab de falta de planejamento para "gastar o dinheiro em coisas de que a cidade realmente precisa". Então Kassab respondeu: "Tomara que Marta não ganhe a eleição, senão ela vai quebrar a Prefeitura." Marta e Kassab também discordaram sobra as Organizações Sociais (OSs) que cuidam da gestão da saúde.

Em primeiro lugar – isso que eu fiz foi um “ataque”?

E, em nome do bom jornalismo, o certo seria verificar quem tem razão... Eu não “duvidei” da afirmação de Marta; eu não “afirmei”, da minha cabeça, que os corredores começaram a ser feitos desde a gestão do Covas. Esses são os fatos. A Marta MENTIU, simples assim. Se dizer “mentiu” for um “ataque”, podemos dizer que “faltou com a verdade”...

Aos dados:

São Paulo tinha, em 2006 (dois anos após o fim do governo Marta), 104 km de corredores. O Santo Amaro – Nove de Julho tinha 14,5 km. Foi INAUGURADO em 1984 (governo Covas). E reformado em 2004, pela Marta. Muito bem reformado, especialmente no trecho Nove de Julho, mas não foi ela quem FEZ. O Paes de Barros tem 4 km e foi inaugurado em 85. O corredor Cachoeirinha tem 12,5 km e foi inaugurado em 91 (Erundina). A Marta também o reformou em 2004. O de Itapecerica, de 8,4 km, inaugurado em 98 (Pitta), foi reformado em 2004. Foram efetivamente inaugurados em 2003 e 2004 os corredores Pirituba-Lapa, Guarapiranga, Ibirapuera, Rio Bonito e Rebouças, em um total de 64 km FEITOS na gestão da Marta. (Que é o número que o próprio PT usou em seu programa de TV alguns meses atrás).

A Marta REFORMOU, sim, vários quilômetros corredores - se contarmos, por exemplo, a extensão completa do Nove de Julho-Santo Amaro, dá 35,4 km deles. O próprio material de divulgação do PT falava em reforma de 4,5 km, mas tudo bem.

Se a gente puder chamar reforma de “realização”, todos os números dos demais candidatos serão inflados também...

E eu queria saber também o porquê do “até”. A Marta é a líder das pesquisas de intenção de voto e até outro dia foi prefeita. Será que não é natural que ela seja “alvo”? Que suas promessas sejam confrontadas com suas obras? A Marta, no meu lugar, pouparia o líder, o deixaria mentir em paz? E eu não sou candidata à prefeitura, tanto quanto os outros?

O também ex-petista Ivan Valente e Ciro Moura atacaram a Marta. E “até” o Maluf – que, assim como eu, fez campanha para a Marta no segundo turno em 2004...

Eu critiquei o Maluf, o Kassab, o Alckmin. Os que já estiveram “lá”. Mas não posso falar da Marta, senão é “busca pela notoriedade”.

Então tá.

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No primeiro debate na Bandeirantes, algumas pessoas se espantaram com a minha disposição em reconhecer boas realizações das administrações anteriores. Antes de questionar a Marta sobre o gasto em túneis e o projeto da ponte estaiada X a interrupção das obras do Fura-fila, reconheci (como não reconhecer?) o que ela fez de bom na área dos transportes. Sem falar que vivo defendendo os CEUs, por exemplo. E a própria Marta, quando alguém vem associar o infeliz "relaxa e goza" ao acidente da TAM.

No segundo debate, reconheci também avanços na área da Educação e do Meio Ambiente no governo Kassab - simplesmente porque eles aconteceram. O Eduardo Jorge mudou a política ambiental de patamar; é um grande cara, que também se encheu do PT bem antes de mim (e saiu do governo Marta porque não aceitava loteamentos e os novos encaminhamentos da política de saúde, que daria menos importância ao PSF, por exemplo, em favor de obras mais vistosas). E o Schneider, como já comentei aqui antes, teve uma disposição admirável (raríssima em um tucano, hehehe) de negociar com a categoria dos professores a reorganização de sua carreira.

Ah, mas isso o PT não admite... Reconhecer avanços do governo do PT, ok. Elogiar qualquer coisa do governo Kassab, aí não. Embora todos os candidatos, Marta inclusive, mantenham sempre aquele discurso básico de "manter o que foi bom, modificar o que não deu certo". Só não pode dizer para o eleitor "o que foi bom"... Fica no ar.

Na platéia da Band, aquele dia, alguns petistas ficaram fazendo graça. Adriano Diogo, ex-secretário do meio-ambiente, que já me avacalhou (não tem outra palavra) na tribuna da Assembléia, mandou um "o amor é lindo".

Depois eu que sou "juvenil". Haja saco.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Contagem regressiva

Para a perda dos meus direitos políticos...

Aviso de um vereador “amigo” para um assessor do gabinete: “Você sabe que a Soninha vai ser cassada, não sabe? Mas só depois da eleição”. Como se eu não soubesse que é essa a estratégia.

Ontem, Wadih Mutran trouxe o assunto à tona (aprovação de projetos sempre mediante algum tipo de troca) no microfone de aparte. “Os jornais estão dizendo que a vereadora Soninha foi pressionada. Não foi não. Mas eu queria ver se fosse com eles! O que eles iam fazer se ela falasse deles o que falou dos vereadores !”. Fui lá me defender: “Vereador, vocês confirmaram uma parte do que eu disse e ainda dizem que é assim que tem de ser: para aprovar projetos, tem de haver uma negociação que envolva algum tipo de troca, um acordo. Eu acho que não deveria haver troca nenhuma. Em todo caso, a troca, o acordo, pode ser feito em função do interesse público ou não... Se alguém vota em um projeto que considera ruim porque foi atendido em seu pedido, o interesse público foi prejudicado. Se não vota em projeto bom porque não foi atendido, também. E se vota em troca de dinheiro, não tem nem o que discutir – para mim, a pior das hipóteses, a menos que a gente pense em ameaças de morte...”.

Enquanto eu falava e ele ameaçava retrucar, os vereadores à Mesa, especialmente o presidente, faziam sinais para ele encerrar o assunto ali mesmo. Ele voltou ao microfone apenas para informar, como Corregedor, que recebeu o pedido de abertura do processo contra mim na Corregedoria. Que, apesar do tema estar pegando fogo, não deu quórum ontem...

Claro que eles vão deixar passar as eleições, quando eu tiver menos destaque na mídia, para seguir com o processo. Até parece que muda alguma coisa para mim... Se eles recomendarem a minha cassação, se ela for aprovada em plenário, ok, perco meus direitos políticos por oito anos... E vou lá fazer meus trabalhos com população de rua, internos da Fundação Casa, em favelas e quebradas.

Depois eu volto.

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Sobre os quatro vereadores que citei na sabatina do Estadão: foram os que eu lembrei, na hora, que já haviam se manifestado publicamente contra esse modelo de tramitação e aprovação de projetos – que é muito lento ou muito acelerado conforme os tais dos acordos políticos. Montoro (atualmente deputado eleito e Secretário de Participação e Parcerias) criticou várias vezes a realização de Congressos de Comissões; Natalini já se indispôs mais de uma vez com os demais, tendo sido inclusive chamado à Corregedoria; Neder também não votou no presidente da Casa na última eleição (como quase toda a bancada do PSDB) e ficou ouvindo gracinhas e desaforos no anexo do plenário; Chico Macena se recusou a acompanhar a bancada na votação do CONPRESP e foi impedido de explicar seu voto contrário no plenário...

Não são os únicos, mas são os que me recordo mais claramente de se manifestar em público. Outros também se queixam, mas reservadamente – não vou expô-los à pressão dos colegas e da imprensa sem saber se eles estão dispostos a isso.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Hoje tem debate na Band

“E aí, você vai de bicicleta?”

Vou não.

Da primeira vez, foi TÃO legal, que a gente foi da Paulista até a Band falando “Vamos juntos de bicicleta a TODOS os debates! Globo, Record, todos! (Queria só ver se ainda tivesse o da RedeTV!, lá em Alphaville...)

Quem era “a gente”? Um grupo de umas duas ou três dezenas de ciclistas e cicloativistas – gente que usa a bicicleta como meio de locomoção e pede melhores condições para elas e mais respeito de todos. Que lembra que ela ocupa pouco espaço, não polui, não piora o aquecimento global, não faz barulho. Que é gostoso pedalar, ver as pessoas em volta, os detalhes da cidade. E que muitas outras pessoas pedalariam também se fosse mais seguro e mais prático (estacionar a bicicleta ainda é um problema na maioria dos lugares – tem cabimento?).

Por que eu fui de bicicleta daquela vez? Para demonstrar que é possível, sim, pedalar por aí – mesmo com as condições horríveis de hoje em dia (a travessia da ponte da Eusébio Matoso foi aterrorizante. Já é tenso para os carros e motos....). Que não é preciso ser atleta para isso (quem dera eu fosse...). Para lembrar que os ciclistas existem; para fazer um manifesto a favor deles.

E foi muito gostoso. Saí de casa pedalando, o que já é um belo meio de começar o dia. Fui à Câmara, passei o dia lá, no fim da tarde subi (pela Augusta) até a Paulista. É subidinha, mas dá para encarar muito numa boa – e é dez vezes melhor que a Consolação, tensa e apertada. Na Praça do Ciclista, encontramos os outros todos e nos preparamos para sair, pouco depois das 20:00. Fiquei com medo de me atrasar, mas o André Pasqualini, do CicloBr, tranqülizava - “dá menos de uma hora, com certeza”.

Finalmente saímos. Descer a Hadock foi muito, muito bom – mesmo com a tensãozinha de estar embalado e com medo de algum carro estacionado abrir a porta de repente. Fomos atentos, cautelosos, e fazendo festa. Cantando “Invasão das Bicicletas”, verdadeiro hino da Bicicletada.

Andar pelas ruas largas, arborizadas e tranqüilas dos Jardins, nas paralelas à Rebouças, também foi demais. Foi quando começou o coro divertido: “Se a Soninha não ganhar, olê, olê, olá... Vou pra Bogotá!” (onde foi feita uma revolução pró-ciclistas).

A subida da Morumbi foi mais cansativa, mas não a ponto ficar de língua de fora. Ainda mais porque uns ajudam os outros; os mais fortes e mais experientes empurram os demais, formando uma cadeia semelhante à das aves voando em “V”. Pior mesmo foi lidar com o estresse dos motoristas. Como éramos muitos, acabamos ocupando uma pista inteira, e na ladeira fomos mais lentos, mas nada de insuportável. Se cada um de nós estivesse em um carro, seria dez vezes pior... Mas o “piloto” de uma SUV ficou tão impaciente que nos ultrapassou na faixa dupla, em uma curva de alta velocidade para quem vinha no outro sentido, e quase provocou um acidente horrível. Para não bater de frente, freou na curva, balançou... Mais um pouco, capotava. Santo Deus. Queria ir a 70 por hora por que, pra quê? Avenida não é estrada...

Mas como foi bom chegar até lá pelo próprio esforço, ofegante, transpirando, com calor apesar do ar frio... Gastando energia, oxigenando o cérebro.

E mesmo assim, não vou de bicicleta desta vez? Não, por dois motivos basicamente: para a minha campanha não virar folclore. Tudo bem dizerem que eu sou “a da bicicleta” - sou mesmo. Mas essa não é a única e nem mesmo a principal bandeira da nossa candidatura. Nem ao menos é a principal proposta para o trânsito, é UMA delas. E também para a própria bicicleta não virar folclore ou “marketing”. É um meio de locomoção para ser levado a sério.

(E qual é a principal bandeira de nossa campanha? São ao menos duas: se não corrigirmos a imensa desigualdade regional em São Paulo, o abismo e as distâncias entre as regiões ricas, bonitas, bem providas de todos os serviços públicos e privados, e as regiões mais pobres, precárias, feias e carentes de tudo, nenhum dos outros problemas (na educação, saúde, meio ambiente, trânsito e transporte, segurança, desenvolvimento econômico e social) terá solução de verdade. A outra: é perfeitamente possível fazer política (já desde a campanha eleitoral) e administrar a cidade de modo diferente. A primeira parte, já estou fazendo. A segunda depende de me colocarem lá na chefia :o)).

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

"Diga nomes!"

Muitas vezes me perguntaram “Que tal a Câmara?”, ou “Que tal ser vereadora?”, e eu respondi “um inferno”. “Não só por causa dos problemas que todo mundo conhece ou imagina, como a corrupção, nem pela dificuldade de lidar diariamente com o confronto de idéias, posturas e visões de mundo muito diferentes, mas sim porque o resultado do seu trabalho não tem nenhuma relação com o tamanho do seu esforço. Depende, sim, dos acordos que você for capaz de fazer. A organização da pauta e a votação de projetos em plenário depende exclusivamente de entendimento entre os autores, e não da qualidade e urgência do seu conteúdo”.

Depois de uma das entrevistas em que disse isso (à revista IstoÉ Gente), houve tensão e tumulto aqui na Câmara. “Tem corrupção? Então diga quem! Diga quando! Você será punida – por saber de corrupção e não ter denunciado, o que era o seu dever. Ou por ter feito acusações falsas, o que é crime”.

A reunião do Colégio de Líderes, à qual eu não estava presente, foi tensa. Alguns vereadores disseram, furiosos: “A santinha! Fuma maconha e vem falar de corrupção”, me contaram colegas. No plenário, o tom foi "melhorzinho": “Eu sou a favor da família, sou contra as drogas.(...) Queria saber o que a vereadora quis dizer com essas acusações”, disse um vereador no microfone de aparte.

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Naquela ocasião, respondi: “Por acaso os senhores não sabiam que na política tem corrupção, de várias maneiras? Não somos procurados para “dar um jeito”, “quebrar um galho”, passar alguém adiante na fila?”. Nem me lembro mais que exemplos dei na época.

“A senhora sabe ou não sabe de algum caso concreto de corrupção envolvendo vereadores da Casa?”. “Se eu soubesse, já teria feito a denúncia à Corregedoria”. Claro que saber sem provas, por ouvir alguém contar, não serve – e alguém aí nunca ouviu, de fontes próximas ou distantes? Em todo caso, não, eu não tenho provas contra nenhum vereador. E eu nem estava falando de corrupção na Câmara, especificamente, mas na política de modo geral. E aí se incluem todos os Parlamentos, o Poder Executivo, os Tribunais de Contas, os partidos, o diabo.

“A vereadora disse que nenhum vereador desta Casa é corrupto. Eu estou satisfeito com a resposta”, disse um colega. Não foi isso que eu disse, mas depois de entender a entrevista a seu modo, resolveram interpretar também a minha declaração em plenário de modo peculiar. “Tem corrupção” tinha virado “todos são corruptos”; “eu não tenho dados concretos” virou “eles não existem”.

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O Corregedor me pediu explicações por escrito, eu dei. Os membros da Corregedoria aceitaram a explicação e o caso se encerrou ali.

Ou quase: alguns dias depois, o presidente veio cobrar o fato de eu ter assinado a lista de presença sem que ele tivesse me visto no plenário. “Eu vim até aqui, vi que não estava acontecendo nada de relevante e subi para minha sala, de onde acompanhei a sessão pelo monitor de TV”. “Mas então você não estava no plenário e assinou a lista? Você não é a honesta?”. Fiquei com tanta raiva que risquei meu nome da lista.

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Depois e antes daquela entrevista, já me queixei mais mil vezes sobre o modo de funcionamento do Parlamento. Em palestras, no plenário, na reunião do Colégio de Líderes, em audiências públicas aqui mesmo na Câmara, muitas vezes na presença de outros vereadores. E sempre ouvi dos colegas o que ouvi ontem também no plenário: “É assim aqui ou em qualquer lugar do mundo”. Como se o Parlamento fosse um planeta isolado, com uma lógica à parte, sem necessidade de responder ao mundo exterior.

Já durante a campanha eleitoral, em entrevista à Band News, eu falei de novo: “Os projetos não são aprovados em função de serem bons ou ruins, e sim como resultado de acordos, em que sempre se estabelece algum tipo de troca”. (Veja um post sobre isso aqui). Já havia falado à CBN e a diversos jornais.

Sexta passada, falei na Sabatina do Estadão – acrescentando (não pela primeira vez) que essa troca pode ser mais republicana... ou menos. Na pior das hipóteses, a troca envolve vantagem financeira direta ou indireta. (Direta: “Pague que eu aprovo seu projeto”. Indireta: “Nomeie um cara meu que eu aprovo”, e o “cara meu” vai comandar algum esquema ilegal de arrecadação de recursos, ou devolver parte do seu próprio salário para o político em “agradecimento”, etc., etc.). Será que existe hipótese ainda pior? Bom, há lugares pelo Brasil em que os pedidos podem ser mais pesados, tipo "a cabeça de fulano" (literalmente).

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Não é raro alguém mais velho e experiente fazer cara de desdém: "Tolinha, e você não sabia que era assim?". Não, eu não sabia que as votações eram TODAS combinadas antes. Que o projeto só é votado quando já se sabe o resultado. Que os vereadores não decidem ali, em função de seu próprio juízo, votar "sim" ou "não", mas seguem o que foi combinado pelos líderes. "Votem sim!", grita o líder de um lado. "Votem não!", grita o líder do outro bloco. Parece que há uma tremenda disputa em curso; se houver público nas galerias, ficarão apreensivos, querendo saber quem vai ganhar. Mal sabem que só falta acertar o placar exato, porque a coluna (1 ou 2) já está definida. A vitória pode ser por 40 X 12, 34 X 10... Mas a Sessão foi aberta já com o conhecimento de quais projetos seriam aprovados, quais seriam adiados, quais seriam derrubados.

Também não sabia que o presidente das Comissões não era eleito por seus pares, mas decidido pelos mesmos líderes. "Constituição e Orçamento ficam com o Centrão, Saúde é do PT, Educação também... O PSDB não vai presidir nenhuma porque rompeu acordo". Não sabia, porque no dia da eleição dos presidentes, os vereadores declaram seu voto como se ele fosse totalmente espontâneo: "Voto em meu colega, grande vereador, fulano de tal". Alguns, mais contrariados, deixam registrado: "Seguindo deliberação da bancada, voto em fulano". Quem é da Casa sabe que essa é uma suave manifestação de descontentamento - que é aceita porque não foi explícita e porque, afinal, respeitou-se a disciplina partidária, o acordo entre os líderes.

“Juuura que não sabia? Tsc, tsc”. Uai, eu acompanhava a política pelos jornais. Se quem sempre soube de tudo não contou, como é que eu ia adivinhar?

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Pois é, dizer que votações são decididas na base de trocas e reciprocidades não é novidade nenhuma – novidade é dizer que é SEMPRE assim. Mas dizer que tem gente que até cobra $$ para votar assim ou assado é tão revelador quanto contar que a primavera vem depois do inverno. Mas, de novo, causou rebuliço.

Agora, tanto os vereadores quanto os jornalistas cobram: “Dê nomes! Dê nomes!”. Parece que, sem contar quem foi, quando, onde, por quanto, por que, não se pode dizer “tem gente que vende voto” – sob pena de ser cassada ou, quem sabe, “apenas” desmoralizada. Não, não vou dar uma de louca, não vou sair dizendo “eu sei, eu vi, eram 30 mil reais por mês!”, como fez o Roberto Jefferson (e não eram 30 mil reais por mês...). Não, porque eu não sei quem, quando, onde, por quanto. Nunca fui convidada para conversas secretas em que se discutiam valores.

Mas presenciei inúmeras discussões de pauta em que os vereadores diziam alto o suficiente para qualquer um ouvir: “Não vamos votar nenhum projeto do governo. O prefeito tá sem moral na Casa. Não aprovou meu projeto/ não executou nossas emendas/ não atendeu meu pedido”. Aliás, isso já foi dito em plenário, no microfone. “Se o prefeito quer aprovar projeto aqui, vai ter de conversar com a gente. Ser da base do governo tem um ônus; tem de ter um bônus”.

Em Brasília, noticia-se com a maior naturalidade que o PMDB quer cinco ministérios, que não sei quem exige a diretoria de uma estatal, que é preciso liberar não-sei-quantos cargos de segundo escalão... O líder do PR na Câmara reclamou, quando o governo anunciou contingenciamento de recursos depois da não-prorrogação da CPMF (uma das raras votações “sem acordo” nos últimos tempos): “Se não for executar nossas emendas, vamos ter de voltar a falar em cargos”.

Pois bem, muitos ficam horrorizados com as palavras “vender” e “dinheiro” relacionadas a “votar”. “Quem vendeu, quem?!”. (Catz, alguém aí já ouviu falar em Valerioduto e outras “mesadas”? Em anúncios da Nossa Caixa?) Justo essa parte não é novidade. (O que eu não sabia, e aprendi aqui na Casa que é possível, é que às vezes se pede dinheiro para DEIXAR DE VOTAR um projeto – que já é apresentado justamente pra isso, para apavorar alguém (um setor, um grupo) a tal ponto que esse alguém topará pagar para evitar que aconteça).

Realmente, é horrível. Mas e o resto, tudo bem? Os acordos, a inevitabilidade de se estabelecer algum tipo de troca...É normal? O fato de alguns projetos bons ficarem anos e anos e anos e anos estacionados enquanto outros menos importantes logo vão a votos, de modo que cada vereador tenha um projeto aprovado e todos fiquem felizes... É ok? O fato de o governo – todo governo – ter de entregar alguma coisa para que um projeto considerado relevante seja aprovado; de um projeto considerado ruim pelos vereadores ser aprovado porque eles receberam algo em troca, é aceitável? Já estamos todos tão calejados, tão ásperos que já achamos que tudo bem se ficar só nisso?

Bom, se só eu não me conformo, aí o Apolinário tem razão: tem pessoas que até podem ser boas jornalistas, boas comentaristas esportivas, mas não sabem ser Parlamentares. Não servem para isso.

A Educação, a falta de educação e a perda momentânea da noção

A culpa, pra variar, é do mordomo.

Caiu o marqueteiro do Alckmin. Parece que há um consenso de que a propaganda eleitoral é “muito ruim”.

Eu não tenho muita paciência para Horário Eleitoral, mas já assisti algumas vezes. Sei lá, me pareceu um programa tucano como todos os outros... Talvez com menos brilho técnico, mas é o Alckmin de sempre, com o discurso de sempre...

(Uma diferença me chamou bastante a atenção: agora o Alckmin aparece nas fotos oficiais com a cabeça toda. Antes, cortavam o retrato na altura da testa, e a parte careca não aparecia... Eu não me importo a mínima com essas coisas, mas os marqueteiros se importam muito. Vacilaram?)

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O marqueteiro, por sua vez, caiu atirando – no vilão de sempre, o Serra. Afe.

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Ontem, no debate sobre educação do movimento Nossa São Paulo, havia dois tucanos à mesa: o Secretário da Educação do município, Alexandre Schneider, e o deputado federal e ex-ministro da Educação, Paulo Renato de Souza.

Schneider fez um bom trabalho – bem melhor, aliás, do que o antecessor, e nisso reside uma das muitas ironias dessa aliança fraturada (DEM-PSDB).

Quando o prefeito era tucano, o Secretário era Democrata (o Pinotti). Com a melhor das intenções, quis implantar, de um dia para o outro, o período integral nas escolas, com o programa São Paulo É Uma Escola.

Não deu nada certo. Por um lado, porque você não consegue resolver estes problemas todos ao mesmo tempo: a lotação das salas de aula (a média no município não é ruim, é de 33 alunos – mas é média, o que significa que em alguns lugares tem mais do que isso), o número de turnos por escola e o tempo de permanência em sala de aula.

Assim, com o número de escolas e salas existente, para as crianças ficarem o dia todo na escola, implantou-se o caos – imagine o serviço da merenda como ficou... Os pátios...

A Sala de Informática, que era usada no período de aula, virou espaço para atividades no contra-turno. Os professores que vinham usando o computador no processo de aprendizagem arrancaram os cabelos. O mesmo ocorreu com a Sala de Leitura.

Enfim, um desastre – agravado pelo fato de que o programa foi instalado na base do “cumpra-se”. Sem discutir, sem perguntar nada para os professores, sem ouvir as queixas ou sugestões deles, sem respeitar as diferenças entre as escolas.

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Entrou o prefeito Democrata, veio o Secretário tucano – e tudo mudou. A maior das qualidades dele é ter a maior disposição para escutar. Para fazer milhões de reuniões com os sindicatos para definir a reestruturação da carreira, por exemplo. Com representantes da classe artística que pediam uma política de ocupação dos teatros dos CEUs baseada na publicação de editais. Com os preocupados com a continuidade do programa Educom.radio. Secretário que inúmeras vezes pediu opiniões da Secretária do governo Marta, a Cida Perez. Que foi a um debate na quadra da União de Moradores de Heliópolis e bancou um projeto muito legal que unirá vários equipamentos públicos (creche, escola estadual, escola municipal, praça) e criará alguns (como uma escola técnica estadual, quadras, etc.), ignorando olimpicamente a recomendação de alguns colegas dele: “Fazer o que lá? É tudo petista... Você vai ver que não vai adiantar nada, no fim eles votam tudo no PT”.

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Nessa gestão, algumas medidas simples ajudaram a diminuir o absenteísmo – que, como o sufixo indica, não é sinônimo de falta justificada, mas de exagero, abuso, falta de comprometimento. E os professores finalmente conseguiram algo que reivindicavam há tempos: a incorporação de gratificações sobre o vencimento-base. Por que é tão importante? Porque a gratificação pode, em tese, ser suprimida de um dia para o outro (ninguém seria louco de fazer isso, em todo caso...); porque o vencimento serve para cálculo de vários benefícios; porque ele é (e será) o valor da aposentadoria.

Claro que a categoria não ficou 100% satisfeita, mas não pode negar que foi um avanço.

***

Em um de seus primeiros esforços para ouvir os professores sobre o São Paulo É Uma Escola, o Secretário pediu comentários (críticas, sugestões) por escrito.

Em um debate na faculdade Cásper Líbero, uma professora da rede municipal veio se queixar comigo sobre a falta de diálogo com o governo. “Ué, mas o Secretário está pedindo para as escolas se manifestarem!”. “É nada, é só pra constar. A gente manda pra Coordenadoria e a coordenadora não encaminha nada, faz um relatório dizendo “aqui na nossa região está tudo ótimo, ninguém tem críticas”. É tudo mentira”.

***

Tem muito disso por aí. (Eu ia escrever “no setor público”, mas lembrei de uma história dos tempos de MTV. Éramos seis pessoas no departamento de produção, que fazia os textos de todos os programas com VJs – 3 produtores e 3 assistentes, eu e mais duas. Uma das produtoras saiu depois de brigar com o chefe. Já trabalhávamos muito – não havia internet, nem ao menos computador. Buscar informações sobre os artistas era tarefa para garimpeiros. Eu chegava às 10:30 e saía às 2 da manhã. Com a saída dela, piorou. As tarefas foram redistribuídas “enquanto não se contratasse alguém”. Passava o tempo, e nada. Pedíamos socorro: “Tá muito difícil, muito pesado!”. O chefe dizia: “Eu estou pedindo uma contratação, mas a direção não está liberando a vaga”. “Como não está liberando? A vaga já existia!”. “Estou tentando...”. Uns quinze dias depois, houve reunião na diretoria. Fiquei sabendo pelo chefe de outro departamento que, diante de um apelo geral para “enxugar despesas”, nosso chefe declarou o seguinte: “Eu eliminei uma vaga na produção e está tudo funcionando muito bem”).

Enfim, a coordenadora achou por bem mentir para o chefe – imaginando que era nisso mesmo que ele estava interessado, em um termômetro falso da satisfação das pessoas... Como se fosse super, super útil dizer “aqui vai tudo muito bem”, com todo mundo infeliz.

***

Ele teve vários problemas com coordenadores – por exemplo, ao desligar alguns que haviam sido nomeados por vereadores da base governista, sem nenhum critério de qualificação para o cargo. Fez questão de consultar os profissionais da região para indicar servidores com real conexão com a rede.

Em represália, vereadores da base governista foram pra cima dele na Câmara, convocando-o para dar explicações sobre isso e aquilo nas Comissões. O pior é que quem vê pensa: “Puxa, que comportamento republicano, eles estão pegando no pé do Secretário do seu próprio governo!”.

***

As melhores intervenções no debate foram as do Schneider, que representava o Kassab, e da Cida Perez, falando em nome da Marta.

Claro que, em um debate sobre o programa de governo dos candidatos para o qual os próprios foram convidados, a presença de representantes é uma decepção, e dá impressão de descaso (pode ter sido ou não). Mas o fato é que a discussão foi muito melhor com eles do que teria sido com os titulares. Marta e Kassab ficariam se cutucando, se acusando, trazendo à mesa outros assuntos, fazendo ironias. Mesmo que não fossem lá dispostos a isso (se é que é possível), ao menor movimento de um, o outro reagiria no mesmo tom. Mas o Secretário e a ex-Secretária falaram de coisas bem concretas.

Ele disse quantas vagas em creches havia no final do governo Marta e quantas há agora – um crescimento considerável nessas duas gestões em relação às anteriores (Maluf e Pitta). Mas o número de crianças não atendidas ainda é gigantesca – em parte, porque o nível de emprego cresceu, especialmente entre as mulheres (o que ele atribuiu à estabilidade econômica do governo Lula...), e a demanda aumentou mais do que a média dos últimos anos. Para atender a ela, seria necessário construir 600 novas creches – coisa que não se faz da noite para o dia (e não é só um problema de grana, mas muito mais de falta de lugar). O governo lançou, então, um edital de PPP, Parceria Público Privada, prevendo que o setor privado adquira terrenos, construa, e a prefeitura possa então usar as instalações.

Cida Perez falou da possibilidade de realização de concursos regionalizados, o que acho ótimo. O processo de seleção de professores precisa ser muito aprimorado. Não pode ter um “provão” e acabou, depois é só distribuir os professores pelas escolas.

Já o Paulo Renato, representando o Alckmin, foi incrivelmente vago. Uma das coisas mais concretas que falou foi sobre a dificuldade para encontrar áreas para construção de novas escolas (se não a única). De resto, o incontestável de sempre: “nosso programa prevê a ampliação do número de vagas em creches e escolas de educação infantil”; “é preciso melhorar a qualidade do ensino”; “educação é a chave para um país melhor”, essas coisas.

Renato Reichman defendeu suas teses sobre a importância dos primeiros anos de vida; Ivan Valente bateu na tecla do orçamento e do número de alunos por sala; Edmilson Costa falou sobre qual deve ser, em sua opinião, o papel, o objetivo da educação. Dos três, ele foi o que eu mais gostei.

***

“Por que chegamos a esse estado de coisas tão ruim na educação?”, me perguntaram. Não tem uma resposta só. Por desleixo, por exemplo, com as instalações – a parte mais fácil de todas de resolver. Entre tantas outras questões complexas, reformar os prédios, transformá-los em lugares decentes, convidativos e acolhedores, dotá-los dos recursos mínimos para o desenvolvimento das atividades educacionais é o de menos. Mas a rede municipal tem problemas, e a rede estadual quase que é só problema. Alguns dos prédios públicos mais horríveis em que estive nos últimos tempos são escolas estaduais. O pátio do (bom) presídio feminino Talavera Bruce, no Rio de Janeiro, é mais simpático do que o de uma escola que visitei em Mauá (Grande São Paulo) em 2005 – este parece mais uma cadeia do que aquele.

Mas boas instalações não resolvem tudo – os CEUs são lindos mas a qualidade de ensino das escolas dos CEUs, nem sempre.

O preparo, as condições dadas e as exigências feitas aos professores também têm problemas sérios. E decorrem, às vezes, de outras carências. Quando um biólogo, matemático, engenheiro, só presta o concurso público porque não conseguiu emprego na sua área e não porque quer ser professor, fica difícil ter um bom desempenho em sala de aula.

E tem a desigualdade, a miséria, a falta de segurança, o desemprego, a desatenção à saúde, o desamparo psico-social...

A Vejinha desta semana trouxe uma matéria muito mais interessante do que foi o debate sobre Educação no aniversário de 40 anos da nave-mãe: professores que dão aula em boas escolas particulares e em escolas da rede pública relatam a diferença de experiências. Vale a pena ler.

Alguns trechos:

“Certa vez, [a professora Débora da Costa, que trabalha no conhecido “Gracinha”, no Itaim, e no Jardim Ângela] convocou a mãe de um aluno bagunceiro para relatar os problemas que estava tendo. No dia seguinte, soube que o menino de 9 anos havia levado uma surra em casa por causa da queixa”.

“Na prática, a presença de um professor capacitado parece não ser suficiente para garantir o aprendizado. Além das notórias carências na infra-estrutura da rede pública, o contexto familiar é um fator decisivo na evolução de uma criança ou adolescente. “Nos colégios privados, quando os alunos têm dificuldades os pais contratam professores particulares ou psicólogos”, comenta Laís Carvalho [outra professora]. Na rede pública isso é mais raro”. Para piorar: “Uma das minhas alunas, de 10 anos, precisa limpar a casa todos os dias porque a mãe trabalha fora”, diz Laís. “Não tem tempo de fazer as lições”.

Eles também fazem comparações entre a independência forçada dos alunos da escola pública – um número muito maior deles volta sozinho para casa, em comparação com os de escolas privadas. Isso se reflete na postura em sala de aula.

***

Eu me bato muito na história das distâncias. Se uma mãe precisa sair de casa às cinco da manhã e só chega às oito da noite, porque passa seis horas na condução indo e voltando do trabalho, seus filhos precisam de cuidados alheios por 15 horas. Não há sistema de educação que dê conta satisfatoriamente, por melhor que ele seja.

***

Agora o pessoal da campanha do Alckmin, nesse movimento clássico de culpar o Serra por tudo o que ele não consegue fazer (tipo se eleger presidente), vem com a seguinte tese: “Segundo interlocutores, não há mais clima para pedir a Alckmin que evite o confronto direto com o democrata. Kassabistas se empenharam nas últimas semanas para impedir que Alckmin atacasse a atual gestão. O temor era de que a briga entre antigos aliados acabasse naufragando a possibilidade de DEM e PSDB voltarem a se coligar no segundo turno”.

Peraê, vamos colocar as coisas em ordem:

1) Se os “kassabistas se empenharam” eu não sei; o que eu sei é que o Alckmin escolheu, desde o começo, atacar a atual gestão. Que é MUITO MAIS TUCANA do que “kassabista”. Secretários tucanos: Educação, Assistência Social, Saúde, Planejamento, Participação e Parcerias, Coordenação das Subprefeituras, Governo, Esporte... Fora os não-tucanos que foram nomeados pelo Serra e ficaram, como Eduardo Jorge (meio ambiente) e Calil (Cultura). E outros. É muito louco terem de pedir para o Alckmin não atacar a gestão deles... Criticar? Ok. Mas descer o pau é demais...

2) O temor era o naufrágio da aliança no segundo turno? Ah, vá! O pior é que certamente essa análise é feita com base nas vaidades e orgulhos, mágoas e birras da política, quando deveria ser escorada em outra constatação lógica: se no segundo turno o Alckmin espera (esperava?) o apoio do Kassab e dos kassabistas, qual o valor desse apoio depois de detonar a gestão do próprio? “Olha, eles foram uns baita de uns incompetentes, mas agora me apóiam e por isso eu conto com seu voto”.

É, pensando bem, talvez seja mesmo o caso de demitir o marqueteiro.

***

Ah, como é bom se ocupar dos problemas dos outros momentaneamente, e deixar os nossos de lado! :o) Depois eu escrevo sobre a Câmara...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Respostas em áudio

Estas perguntas foram enviadas ao Portal Terra no dia em que participei de entrevista ao vivo sobre a candidatura à Prefeitura. Claro que sobraram muitas perguntas sem resposta por falta de tempo - então aí vão elas em alto e bom (mais ou menos) som.

ASSUNTO: CORRUPÇÃO

PERGUNTA 01

Data: 03/09/2008
De: Vainer Rocha Curzio

Bom dia a todos!

Vereadora Sonia.

Todos nós sabemos que as Prefeituras concentram grandes focos de corrupção.
Seja na área social ou a de serviços.
Minha pergunta é:
Qual seriam seus esforços, para que esses problemas fossem combatidos?

Desde já agradeço a oportunidade de me manifestar, bem como desejo boa sorte a candidata.
Obrigado ao jornalismo do Terra.

Vainer da Rocha Curzio
Um Paulista que adora sua Cidade.

PERGUNTA 02

Data: 03/09/2008
De: Mauricio

Bom dia, como você vai lidar com a corrupção (câncer) em seu governo, o que você acha desta impunidade no Brasil????
Sou seu fã, acompanho você na ESPN Brasil.
Abraços e boa sorte

Mauricio

RESPOSTA EM ÁUDIO:




ASSUNTO: POLÍTICOS

Data: 03/09/2008
De: acpalito

Soninha, você não acha que tem muitos “políticos” como você que usaram a mídia para se promover depois buscar uma muleta pública, vide Ribeirão Preto, Campinas, São Paulo, etc. Se eu pudesse nem no local de votação iria, pois é o mesmo que ser apunhalado pelas costas, veja, quando é candidato adora o povão, quando eleito, fazem leis (...), exemplos: dívida com prefeitura direto para a justiça, taxa lixo, taxa água, taxas, taxas, taxas... Chega! Só vou pois sou obrigado mas anulo.
Seja feliz. Na minha opinião fora da política, você não é disso.

RESPOSTA EM ÁUDIO:



ASSUNTO: MANDATO

Data: 03/09/2008
De: Alexandre Vargas

Bom dia
Gostaria de saber o que a Soninha fez como vereadora e porque não conseguiu fazer mais?
Atenciosamente
Alexandre Vargas

RESPOSTA EM ÁUDIO:



ASSUNTO: MARTA

Data: 03/09/2008
De: lcvsp

Bom dia...
Gostaria de saber da senhora e de todos candidatos, vocês se esqueceram da tragédia de Congonhas, onde a candidata Marta mandou o povo relaxar e gozar, fico indignado com isso parece que são todos da mesma laia.

RESPOSTA EM ÁUDIO:



ASSUNTO: MACONHA

PERGUNTA 01

Data: 03/09/2008
De: Hilton de Souza Araújo

Soninha,
Você acha que por você ter assumido que era usuária de maconha, isso pode atrapalhar a sua candidatura?

Hilton
São Paulo

RESPOSTA EM ÁUDIO:



PERGUNTA 02

Data: 03/09/2008
De: Alexandre Gontijo

Soninha, você não acha que a legalização da maconha trará muito mais benefícios do que prejuízos, tendo em vista (entre outras coisas) que é uma droga leve e sua legalização atingirá em cheio o tráfico ilegal de drogas, afastará o usuário da erva de drogas pesadas e economizará uma fortuna ao estado, que terá que gastar menos com repressão?
Obrigado.

Alexandre Castro

RESPOSTA EM ÁUDIO:



PERGUNTA 03

Data: 03/09/2008
De: Aldair Tôrres

Candidata,

No seu projeto político-administrativo, consta alguma boa-intenção de se mandar para o legislativo um PL sobre criação de espaços públicos para a prática de uso de drogas sob controle sanitário da sua administração, ou isto seria uma caretice que o PPS não permitiria?

Atenciosamente,
Aldair Tôrres

RESPOSTA EM ÁUDIO:

Never Stop The Music

Trilha sonora de hoje:

- Antes de sair de casa, Carly Simon (“You´re so vain”)

- No caminho para Itaquera, Marisa Monte (“Bem que se quis”, “Rir pra não chorar”, “Chocolate”)

- De Itaquera para a Guarapiranga, Guns’n’Roses (“Sweet Child of Mine”, “Knocking on Heaven’s Door”, “You could Be Mine”)

- À beira da Guarapiranga, “Trem das Onze”, “Vou Festejar”, “Madalena do Jucu”,“Por enquanto”, “Tempos Modernos”

- De lá para o Grajaú, um CD batizado de “De Um Tudo” (Gnarls Barkley, Racionais, Sade e nem me lembro mais o quê)

- Do Grajaú para a Monte Azul, Beatles em versão jazz (“Here comes the sun”, “Can´t buy me love”)

- Na Trópis (Monte Azul), “Deixe a Menina” e vários outros sambas.

- Na Lôca, "Beat It", “A Little Respect”,“Like a Prayer”, “Freedom”, “I´m Free".

Fazia tempo que eu não cantava tanto em um dia só. Mais um dia daqueles... 14 horas “no ar” (sem contar o tempo de computador de manhã); 130 km rodados. Mas cantar (e, no fim de um dia e começo do outro) dançar, foi bom demais.

***

Entre uma música e outra: papel do vereador, moradia, meio ambiente, bicicletas, transporte coletivo, educação, saúde, saneamento básico, segurança, crianças e adolescentes, lazer, mediação de conflito, zoonoses, lixo, educação outra vez, esporte, parcerias, contrapartidas, convênios, iluminação pública, PT, PPS, conduta do Parlamento, mídia, dinheiro, “vou votar em você”, prestação de contas, voto distrital, “adoro você, mas você saiu do PT”, CPI, Comissão de Ética, LGBT, pessoas com deficiência, cadastro falso, cinema, cirurgia, pesquisas, CEUs, escolas de lata, ação judicial, creches, faculdades, distâncias, emprego, desemprego, Subprefeitura, desocupação, desapropriação, cartas de crédito, ratos, pernilongos, “vou votar em você porque você saiu do PT”, buracos, valetas, sarau, futebol, horário eleitoral... Se der um google em todas as palestras, debates e conversas informas que eu tive ao longo do dia, aparecerão todas essas palavras...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Saudade do computador outra vez

Eu queria escrever sobre:

- O plenário nas últimas duas semanas (afe...)

- A Comissão de Administração Pública (idem)

- Trânsito em São Paulo (aqueles comentários básicos de sempre – semáforos de enlouquecer, motoristas enlouquecidos...)

- A campanha eleitoral (contar alguns episódios, comentar notícias publicadas, programas)

- A mídia, sempre a mídia... (hmpf)

- O trem da CPTM (gravei um vídeo com o celular)

- Bicicletas e bicicletários (e não é que tá melhorando o negócio?)

- O novo espetáculo do Ivaldo Bertazzo (já comentei aqui? Incrível)

- A lei das OSs (o debate sobre ela no Fórum de Saúde)

- O debate nos 40 anos da Veja (o de educação foi muito fraco, com uma penca de lugares-comuns: “é preciso valorizar o professor”; “a sociedade tem de abraçar a educação como algo fundamental”, ah vá...) e alguns pontos muito desconectados da realidade (que adianta discutir o currículo dos cursos universitários de formação de professores se o processo seletivo for mal conduzido e o treinamento inexistente?; o de meio ambiente foi melhorzinho. Os outros eu não vi).

- A quantidade de gente que ainda nem sabe que eu existo (chego para reuniões, me apresento na portaria e a recepcionista pergunta: "Seu nome?").

Mas não dá teeeempoooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Um domingo qualquer

Não saí de casa cedo, já era quase meio-dia. Antes disso, tinha apenas respondido a uma entrevista por email (do portal Gastronomia & Negócios). Mas o dia foi longo assim mesmo...

Fomos até o Jardim Capela encontrar um candidato a vereador pelo PPS. Vale a pena olhar no mapa onde é -- só de Estrada do M’Boi Mirim foram mais de 10 km. Quando já estávamos a um passo de nosso destino, reconheci a rua (“rua” é modo de dizer) onde mora minha empregada. Se já não estivesse atrasada, teria dado um pulo na casa dela (e ela vai me xingar amanhã quando souber que passei tão perto).

Nós achamos longe pra danar, indo de carro em um domingo sem trânsito. Pois a Tânia faz esse caminho (Jardim Capela – Perdizes) TODO DIA, e de ônibus. Uma, duas, três conduções diferentes. Cheias. Anda, pára, anda, pára. Desce, espera, sobe, pára.

E ainda é uma pessoa risonha, bem humorada.

***
Caminhamos por um lugar chamado Bananal. Agradável, até – por causa das pessoas, risonhas também, afáveis. Muitas estavam sentadas diante de casa, curtindo o sol do fim da manhã, tomando uma cerveja, olhando as crianças brincando. E como tem criança!

Mas o lugar em si é aquele caos – becos, degraus, ladeiras sem calçamento, entulho segurando o barro, cheiro ruim, encanamento improvisado...

***

Lamentei não ter um guia de ruas no carro; deixei o meu no Gabinete. Não adianta apenas traçar o caminho no Google Maps – “Vire à direita na rua tal”. A rua “tal” não tem placa. Ficam os vereadores dando nome pra tudo quanto é rua – o que é freqüentemente esculachado, mas tem mais importância do que parece – e as ruas não têm placa, então o que adianta?

E tem a numeração das casas, que sempre me enlouquece. 24, 25, 297, 5-A, 134... Parece que cada um batizou a sua com o número que escolheu, e só por acaso às vezes se forma uma seqüência.

Com o guia de ruas, dá pra contar: “É a décima-terceira travessa à direita depois da avenida”.

***

De lá, fomos para um campo de futebol no Piraporinha. Um lugar parecido com vários outros da Zona Sul, em que uma área grande de terra é cercada por barracos empoleirados na encosta. Alguns mais ajeitadinhos, outros de uma miséria assombrosa. Entrei em um inacreditável; já vi cavernas mais convidativas. A mulher vive de bicos aqui e ali; tem um filho de dez ou onze anos que é uma simpatia. Até outro dia, ele era escoteiro; teve de abandonar porque ela não conseguia dinheiro para pagar suas excursões (“Imagina, custava R$45,00, não tenho”).

Uma moça bonita de olhos tristes veio pedir dinheiro para comprar fralda para o filho. “Só tem uma, to na última”. Nossa cicerone no lugar fez sinal para não dar. Me puxou de lado e explicou: “Se você quiser ajudar, compra as fraldas. Se der dinheiro, ela vai gastar em droga”.

Um homem muito, muito bêbado, no ponto em que mal se entendia o que ele falava, ficou muito, muito feliz de me ver, como se me conhecesse há anos (àquela altura, não estava reconhecendo nem a própria mãe). Ele me abraçou várias vezes, carinhosamente, tentando dizer coisas que eu não compreendia (eu tentava responder às poucas palavras reconhecíveis).

No último dos abraços, abriu a carteira para me mostrar seu RG. Dentro do plástico, a foto de um menino pequeno. “Seu filho?”. Sim, sim, sorriu feliz. E fuçou que fuçou na carteira até encontrar um santinho da Sagrada Família, meio amarrotado, indicando que estava com ele há muito tempo. Deu de presente para mim, Fez efusivas recomendações, acho que para eu me cuidar. Nunca mais vou largar meu santinho.

***

De lá, voltamos para a Zona Oeste. Do Jardim Capela até a Ponte Estaiada foram 30 km. Passei rapidamente pelo aniversário de um amigo em Pinheiros; um evento em Perdizes foi desmarcado, então voltamos logo à Marginal para um último compromisso no Grajaú. Ou seja: rumo ao sul outra vez.

Fui ao aniversário do Pagode da 27, um dos muitos eventos que eu tinha assinalado na Agenda Cultural da Periferia. Não fui a quase nenhum deles, mas ainda bem que não perdi esse. O pagode é sensacional, com um jogo de mesinhas montado no meio de uma rua estreita, lotada de gente feliz, calorosa.

Na verdade, devo a minha ida a um outro candidato a vereador, que conhece bem o pessoal de lá e sugeriu, há uma semana, que eu reservasse a noite de domingo para isso. Se não fosse assim, é bem possível que não tivesse ido.

Chegando lá, descobri que ele tinha também um outro convidado: Osvaldinho da Cuíca. Uma glória.

É o tipo de balada que dá vontade de dizer: “TEM de ir”. Muito, muito legal, muito verdadeiro, genuíno. Que bom saber que todo domingo à noite as pessoas – centenas de pessoas – desencanam da televisão e vão pra rua ouvir, cantar e dançar um samba.

***

E aqui estou eu, de volta depois de 12 horas e 132 km percorridos no domingo. Missão comprida; missão cumprida.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Nocaute

Chamar o Hugo. Botar os bofes pra fora. Estripar o mico. Quantas expressões diferentes há para “vomitar”? Argh.

Passei a noite toda (de segunda para terça) exercitando todas elas. Tentando achar graça da minha própria condição, mas não conseguindo. Um horror de mal-estar, impossível dormir. Calor, frio, suor, calafrios... Credo.

Fiquei me perguntando o que eu teria feito de errado. O que foi que eu comi? Ou será que fiquei tempo demais sem comer? Mania de se culpar por tudo...

Lembrei das inúmeras ocasiões em que socorri amigos, conhecidos ou completos estranhos depois de um porre. Banheiros de bar, salões de festas, calçadas... Enjoada ao extremo, pensava – “Imagine como eu me sentiria se tivesse chegado a esse estado voluntariamente... Acho que ia bater a cabeça na parede”. Nunca tomei um porre, nunca tomarei. Mas sei como é o que vem depois.

***
De manhã, cheguei à conclusão de que precisava procurar atendimento médico. Em vez de melhorar, piorei. Me arrastei até o computador para procurar o endereço de uma AMA. Esquece – não tem nenhuma em Pinheiros ou na Lapa. Eu é que não ia sobrecarregar o pronto-socorro do HC com uma dor de barriga (e nos ombros, nas costas, na nuca... Doía tudo!). Procurei o Samaritano, que não fica longe de casa.

Não demorou muito para que eu fosse atendida. O movimento era fraco àquela hora (umas oito e pouco da manhã). O médico fez duas ou três perguntas, apertou aqui e ali, auscultou e informou: “gastroenterocolite”.

Que bom. É um alívio estranho saber o nome do que você tem. Eu estava preparada para ouvir “virose”... (Que não deixa de ser um nome). Quis saber mais: “O que causa? Um vírus, bactéria?”. “O mais provável é que seja algum tipo de toxina”.

***

Enquanto recebia medicação na veia, finalmente dormi. Um sono delicioso, na poltrona confortável do pronto-socorro. Saí de lá grogue e continuei dormindo o dia todo.

***

Não sei se o médico me reconheceu de cara e não passou recibo, ou se não sabia quem eu era e alguém avisou depois. Sei que antes de eu ir embora ele comentou: “É muita maionese de campanha, né?”

***

Tá cheio de gente que não sabe quem eu sou. Hoje cedo fui visitar e redação da Gazeta Penhense (a convite deles), e a recepcionista me estranhou: “Vai falar com quem?”. “Marcio ou Aloisio”. “E como é o seu nome?”. “O dela é Lylian e o meu é Sonia”. Não acendeu nenhuma luzinha, não. Ficou na mesma.

***
A Lylian (amiga, assessora e, eventualmente, cozinheira e enfermeira) me levou de carro porque eu não estava firme o suficiente para andar de moto. Ainda estou em marcha lenta, meio dolorida, meio lesada. Mas como é ruim andar de carro nessa cidade, meu deus. Eu não agüento.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

TV & Internet

Vi na CNN que os Democratas (estadunidenses!) vão credenciar centenas de blogueiros para a cobertura da Convenção Nacional do Partido. Eles comentarão ao vivo os acontecimentos.

Esta é uma notícia do ano passado que já tratava disso. Os democratas, como era de se imaginar, são pioneiros nesse reconhecimento do papel dos blogs na cobertura política, e já haviam credenciado blogueiros antes.

Há critérios a cumprir para pleitear uma credencial, como “estar no ar há pelo menos seis meses e ter escrito no mínimo 120 posts”. Os blogueiros que estiveram em uma outra convenção relataram algumas dificuldades – por exemplo, com a interferência dos rádios dos muitos seguranças na transmissão de sinal por wi-fi.

O site democrata tem a relação de todos os blogs credenciados desta vez – veja aqui . Tem, por exemplo, o African American Political Pundit, o culturekitchen, o Crooks and Liars... De fato, a promessa de uma cobertura muito diversificada!

***

Muito legal. Eu queria fazer a mesma coisa aqui, durante os debates na TV... Montar uma bancada de blogueiros para comentar – e, se for o caso, contestar – algumas coisas que são ditas pelos candidatos.

No debate da Bandeirantes, dava muita aflição ficar ouvindo afirmações mentirosas, exageradas, distorcidas e não poder falar nada. O único direito de resposta possível de ser concedido é a quem se sinta pessoalmente agredido. Papo furado não dá direito de resposta.

No horário eleitoral, também não. Incrível, vale tudo! Parece que números existem para ser distorcidos. E a gente não tem como entrar com ação por propaganda enganosa (ou tem?).

***

Já não lembro se foi ontem no Fantástico ou hoje no Bom Dia Brasil, mas vi uma matéria excelente do Pedro Bial sobre o que não ficou de legal na China durante e depois das Olimpíadas. Manifestações reprimidas, imprensa edulcorada, gastos públicos exorbitantes, famílias removidas sem indenização, prisões mal explicadas... Sóbria, sem exageros dramáticos mas sem “passar um pano” (ou dar um desconto). Tipo de abordagem que a Globo às vezes deixa de fazer para não “estragar” a beleza da festa.

***

Lá (na China) tem censura, e aqui... Tem regras tão apavorantes para quem cobrir a eleição, em nome da “isonomia”, que os jornalistas estão preferindo deixar de cobrir algumas pautas para não correrem o risco de serem processados. É uma paranóia com a igualdade absoluta de minutos e segundos que não tem cabimento.

domingo, 24 de agosto de 2008

Ser candidato é feio

Ontem , fui convidada para um evento do Fórum de Saúde da Zona Sul que discutiria as OSs (Organizações Sociais). Ótimo – tai um assunto que tem muito a ser discutido.

Não sabia bem se o convite era para a vereadora ou a candidata – podia ser que quisessem ouvir minhas propostas sobre esse tema. De todo jeito, como as duas são uma pessoa só, lá fui eu. Também não sabia se haveria uma mesa, se eu seria convidada a falar e responder perguntas, se haveria outros vereadores ou outros candidatos à prefeitura presentes. O fato é que o debate me interessava e pronto.

O presidente municipal do PPS também foi e chegou antes de mim. Por telefone, avisou: “Quem convidou a Soninha? Porque eu cheguei aqui, me apresentei, e me olharam de um jeito tão desconfiado... Só faltou me proibirem de entrar. A recepção foi muito hostil”.

Quem tinha convidado era um dos organizadores do evento; ainda pediu para confirmar presença, o que eu fiz. E o evento, em princípio, era aberto à participação de qualquer um. Com ou sem hostilidades, resolvi ir.

***

O encontro aconteceria em um salão de uma paróquia. Enquanto procurava a entrada, já no pátio de estacionamento da igreja, um grupo de cinco ou seis jovens reparou em mim e um deles disse: “Nossa, como você parece com a Soninha!” Dei risada: “Eu pareço comigo?”. Eles se empolgaram: “Soninha! Que legal! Eu gosto de você! Eu vou votar em você! Minha mãe vai votar em você!”

Contei para eles que era muito comum as pessoas não me reconhecerem – mesmo as que já me viram muitas vezes na televisão. De manhã, entreguei um folheto em uma lanchonete em frente ao Palmeiras e o rapaz perguntou, apontando para minha foto: “É sua prima?”. Ele não estava brincando; realmente achou que aquelas duas moças – a arrumada da foto e a desengonçada à sua frente-- eram parecidas...

Eles deram risada, e eu perguntei: “Posso pegar um folheto meu para deixar com vocês? Aí vocês levam e lêem com calma”. “Claro, queremos!”

Corri até o carro e peguei uma pilha de adesivos e folhetos no porta-malas. Quando voltei para perto deles, comecei a entregar um folheto para cada um, explicando que atrás tem o site, um email, telefone...

Imediatamente tomei uma bronca: “A senhora não pode fazer isso aqui!”, disse um senhor muito bravo. “Olha, eu não vim fazer campanha, estou entregando esse folheto para eles porque eles quiseram. Não estou panfletando”. “Não importa. Pare com isso. Não pode. Aqui, não pode”. Não foi gentil, educado, não estava me avisando que a igreja não queria nenhuma atividade de campanha ali dentro. Foi rude, como se eu tivesse desobedecendo alguma regra óbvia. “Nossa, parece até que eu estou cometendo algum crime. Não é crime ser candidato. Não é crime entregar um folheto para uma pessoa que quer receber”. “Mas aqui mando eu e estou dizendo: na minha igreja NÃO PODE”. E saiu.

Outro continuou ali, vigiando. “Olha, tanto eu não vim fazer campanha que não tinha nem tirado o material do carro. Só peguei porque eles se interessaram”. “Nós vimos”, disse, com ar detetivesco, como se tivesse me flagrado contrabandeando armas. “Nós estávamos acompanhando o seu movimento”.

Virei para os rapazes, que estavam acompanhando a discussão: “Bom, vocês querem ir comigo até o portão, porque lá fora eu posso entregar estes folhetos para vocês?”. Era irritantemente absurdo, mas tudo bem, eu andaria 20 metros para passar um folheto da minha mão para a deles. Eles sorriram – “Não, deixa, não se preocupe, depois a gente pega”.

O homem da paróquia tentou brincar com os jovens, para descontrair: “Ah, então foram vocês que pediram, seus baitôla ”. Eu não me conformava: “Olha, desse jeito, parece que é feio ser político, é crime ser candidato, é errado fazer campanha. Não é à toa que a política está desse jeito...”. “Não pode. E se todo candidato quiser vir aqui entregar folheto?”. “Deixa que venha, ué. O certo é que todos possam fazer sua campanha igualmente!”. “Não. Não pode”.

“Olha, eu nem vi aqui fazer campanha”. “Então veio fazer o quê?”.” Vim para a reunião da Saúde”. “E você é de onde?”.

Me senti em um morro dominado por uma quadrilha, tendo de dar satisfações para o chefe do pedaço. “Por que, que diferença faz de onde eu sou?”. “Quero saber, fala, é de onde? De onde você vem?”. “Eu nasci na Zona Norte e hoje moro na Zona Oeste. E daí?”. “Você não é daqui, nunca veio aqui antes. Por que veio hoje?”. “Porque me convidaram!”.

“Você não é daqui, não tem nada que fazer aqui”. “Por que, já implantaram o voto distrital e eu não estou sabendo?”. “Se você não é daqui, não tem que aparecer agora, em época de eleição”. “Ah, não posso vir aqui se eu for candidata? Só posso ir a lugar a que já fui? Eu sou candidata a PREFEITA, da CIDADE TODA, que história é essa de onde eu posso e não posso ir?” Fui ficando cada vez mais irritada, mais louca da vida. Ele também subiu a voz: “Não precisa gritar, eu não estou te tratando mal”. “CLARO QUE ESTÁ! VOCÊ JÁ CHEGOU ENCRENCANDO, FALANDO GROSSO. NÃO VEM COM ESSA DE QUE EU QUE COMECEI”.

Fui embora para a bendita reunião do Fórum. Eu me despedi dos jovens (que não encontrei mais): “Não era para ser assim; parece que a gente estava fazendo alguma coisa feia... Desculpem".

****
O fim-de-semana teve a reunião com candidato a vereador, essa ida ao Fórum, festa do folclore no Amorim Lima (linda!), Encontro de Compositores no Centro Cultural Monte Azul (fantástico), corrida contra o câncer de mama no Ibirapuera (fui só para assistir), encontro com lideranças religiosas no Parque Novo Mundo (no Núcleo Cristão, que faz um trabalho excelente com crianças e jovens da região), encontro com moradores de um conjunto habitacional no Valo Velho (muito simpáticos), estréia de Noé Noé no Tuca (incrível). Mas não vou conseguir contar mais nada agora, então tchau, até amanhã. Já tenho quase quarenta e um e estou morrendo de sono :o).

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Corrida de Obstáculos? Rali? Enduro?

Acaba de acontecer (+ ou – 8:00) mais uma colisão na esquina da minha casa (Apinajés com Bartira). É, no mínimo, a décima desde que vim morar aqui, há três anos. A última que eu tinha presenciado foi em uma madrugada, duas ou três semanas atrás. Ninguém se machucou na colisão, ainda bem, mas um dos motoristas ficou tão nervoso que partiu para cima do outro. A namorada gritava desesperada, o segurança do condomínio tentava apartar... Um tristíssimo espetáculo.

A Apinajés é uma rua bem movimentada, com trânsito nos dois sentidos. Um pouco antes de cruzar a Bartira, ela tem um pequeno aclive seguido de um declive. Ou seja: a visibilidade é muito ruim. Os carros aparecem de repente. E como o estacionamento é permitido de todos os lados, o jeito, para quem vem da Bartira, é meter o bico do automóvel até quase o meio da rua para tentar enxergar. É um sufoco. O motorista de um táxi que faz ponto na rua de cima diz que uma passageira dele se recusa a pegar táxi naquela esquina de tanta raiva que tem daquele cruzamento.

Os moradores do prédio em frente já fizeram abaixo-assinado. Eu já mandei email, ofício, indicação... Nada. Já mandei fotos das várias colisões. Depois de muita insistência, consegui uma resposta do Secretário Municipal de Transportes, a quem a CET responde: “Seu pedido foi aceito. A instalação de semáforo depende apenas da disponibilidade de recursos”.

É o fim da picada. Se fosse em outro lugar, o pessoal já teria queimado pneu no meio da rua. Aí viriam a Globo, a Record, o Datena, e logo sairia o tal do semáforo.

“Disponibilidade de recursos”. Até parece que é assim que funciona... Vereadores com influência sobre a CET conseguem qualquer coisa, em qualquer prazo. “Fechar aquela rua de hoje para amanhã, para um evento de última hora? Sim, claro. Isentar uma firma “amiga” da cobrança por um serviço? Pois não. Colocar floreiras para transformar uma rua comum em rua sem saída? É pra já”. Danem-se os técnicos, os engenheiros.

O pior é que a um quarteirão de distância foi instalado um semáforo absolutamente inútil. São duas ruas de mão única (Bartira e Apiacás), com bem menos movimento, valetas no cruzamento (que já diminuem a velocidade, obrigatoriamente) e uma subida medonha, que só pode ser vencida em primeira marcha e bem devagarinho. Ou seja, as condições do lugar impõem uma travessia lenta, cuidadosa. Mas lá tem o diabo do semáforo.

***

Anos atrás, quando o Pitta ainda era o prefeito, eu pedi a instalação de um semáforo de pedestre na esquina da Cardoso de Almeida com a Dr. Arnaldo. Um lugar próximo à estação do metrô e dois pontos de ônibus – ou seja, com muita gente circulando. O acesso da Dr. Arnaldo à Cardoso – uma baita de uma descida naquele trecho – é livre o tempo todo. Quando o semáforo fecha na Dr. Arnaldo, os carros, ônibus, motos e caminhões podem virar à direita do mesmo jeito, sem parar – e, freqüentemente, em alta velocidade. E a visibilidade também é ruim.

Ou seja: os pedestres passam um desespero ali. Dependendo do sentido em que vão, tem de se contorcer para enxergar quem vem por trás. Um absurdo completo.

Pois bem: quando fiz o meu pedido, ele foi analisado e, semanas depois, aprovado pelos técnicos da companhia. “Anote o número do seu protocolo”. Terminou o governo Pitta, e nada. No governo da Marta não tive melhor sorte. Nem no do Serra. O Kassab tá quase indo embora e... nada. Isso porque, já vereadora, eu reforcei o pedido. E o pior: pelo site da prefeitura, obtive a informação de que a solicitação foi atendida!

Acho que da próxima vez que me perguntarem “qual a primeira coisa que você vai fazer como prefeita”, vou dizer: “Mandar instalar o bendito semáforo na esquina da Dr. Arnaldo!”.

***

E a programação de tempo dos semáforos da cidade? Eu fico possessa quando passo um tempão parada no sinal vermelho esperando passar... ninguém. Eu e a torcida do Flamengo. O sinal abre, passam cinco ou seis carros, ele fecha de novo. Fica lá a turma esperando à toa outra vez. Gastando tempo e combustível.

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E as placas de itinerário? Santo deus... Além das que faltam, tem as que sobram. É, sobram. Na Cidade Jardim sentido centro, uma placa manda virar à direita antes da Faria Lima para ir em direção à Augusta. Certamente, ela está ali desde que as obras do túnel estavam em andamento, tornando o desvio obrigatório. Agora, para ir à Augusta, é só ir reto!

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Na Marginal Pinheiros sentido Castelo Branco, há uma série de placas novas, bem visíveis, informando a quem está na pista expressa: “Ponte Eng. Roberto Zuccolo – PRÓXIMA SAÍDA À DIREITA”. Quem perder aquela saída está ferrado, tem de ir até a ponte Eusébio Matoso e voltar. Só que a ponte é muito mais conhecida como “Cidade Jardim” – e só na última hora, já em cima do acesso à direita, tem uma placa velha, escurecida, pouco visível, com o nome mais conhecido.

Já a Marginal Tietê sentido Dutra tem uma placa nova avisando: “Próximas pontes: tal, tal e VILA MARIA”. Ótimo, assim você já se prepara com antecedência para acessá-las. Só que eu tinha procurado no mapa o melhor caminho para a Curuçá, e vi que era pela Ponte Jânio Quadros. Que, felizmente eu sei, era um personagem muito ligado à Vila Maria – portanto, foi essa ponte que ele batizou. E se eu não soubesse?

(continua abaixo)

Corrida de Obstáculos (e salto em distância!)

Certa vez, a Comissão de Administração Pública convidou representantes da Emurb para falar sobre as novas placas com nomes de rua (aquelas que destacam o “apelido” da rua, informam a distância daquele ponto até o Marco Zero, etc. Bacanas). Conversando informalmente no fim da reunião, os técnicos da empresa comentaram o quanto eles ficam desesperados com a falta de ordem e critério na instalação de placas pela cidade – um deles mostrou um acervo de fotos de absurdos tiradas com o seu celular. Esquinas com faixas de pedestre transformadas em paliteiro, com postes de todos os tipos – sinal de contramão, estacionamento proibido, conversão proibida, iluminação pública, semáforo, velocidade máxima... Tudo desordenado, com cada uma em um suporte, prejudicando absurdamente a circulação.

Eles comentaram que Londres desenvolveu e está implementando um Plano Diretor de Sinalização, com vistas à Olimpíada de 2012. Achei o máximo. Quero adotar a idéia.

***

Isso acabou me dando uma luz em relação às calçadas. Outro dia, alguém me perguntou: “O que você gostaria muito de fazer, mas dificilmente conseguiria concluir em quatro anos de mandato?”. Respondi “arrumar todas as calçadas da cidade”. É dificílimo (mais ainda quando ninguém nem se preocupa com isso, como costuma acontecer). Existem lugares em que elas precisariam ser muito mais largas – quando isso for possível proibindo o estacionamento de automóveis, ótimo, mas às vezes nem assim se resolve. E os aclives acentuados, os degraus absurdos?

Calçada é responsabilidade do proprietário dos lotes. Já existe legislação estabelecendo como deve ser o passeio público – medidas, materiais. É só a prefeitura obrigar os proprietários a cumprir a lei? Hmm... Antes fosse.

Além da questão da largura das ruas e dos aclives, tem outros problemas. As calçadas têm orelhões, lixeiras, caixas de correio, bocas-de-lobo, acesso à rede de telefonia e gás, árvores, floreiras, postes de luz, pontos de ônibus, as placas de trânsito... Como é que o proprietário sozinho vai resolver isso tudo?

Pensei, então, em criar um “Grupo Executivo de Calçadas”. Sediado na Emurb, com representantes de CET, Secretaria de Serviços, de Transportes, das Subprefeituras, empresas e órgãos estaduais. Que elaborasse e ficasse responsável por um Plano Diretor de Calçadas, estabelecendo um rol de ações conjuntas, garantindo recursos e se comprometendo com metas por regiões (x quilômetros em um determinado perímetro da Brasilândia, x quarteirões no Parque Novo Mundo...).

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Ontem, no caminho para a Globo, passei por uma calçada LOTADA de gente em um ponto de ônibus na Berrini. Uma coisa de louco. Não sei se esperavam o transporte público ou fretamentos. Só sei que havia, ali, umas duzentas pessoas.

Um pouco adiante, no mesmo quarteirão, um estacionamento particular. Ou seja, um espaço de espera para automóveis vazios.

Me deu uma vontade imensa de desapropriá-lo e transformar em mini-terminal. Um lugar coberto, com bancos, banca de jornal, lanchonete, banheiros, monitores de TV, floreiras... Totens eletrônicos com informações sobre a cidade, telefones públicos, internet. Onde as pessoas pudessem marcar encontro, esperar o ônibus confortavelmente. Ele continuaria parando no ponto na rua, mas a calçada ficaria desimpedida.

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Que delícia escrever quilômetros do que tenho pensado... Uma assessora do gabinete disse que leu um post em que parecia que eu estava falando do namorado, mas era o computador. “Estava morrendo de saudade, há muito tempo não tinha tempo para ele...”. Pois é, hoje vou ter o prazer de namorar um pouco meu notebook; não tenho nenhum compromisso na rua de manhã. Não vai dar nem para o cheiro – fechar o texto do programa de governo, responder mil entrevistas, entregar (atrasaDÍssima) a coluna da Vida Simples (meu ex-marido chamava esse meu trabalho de “uma farsa” – “Vida Simples, você?”), atualizar sites e blog, revisar o boletim semanal do mandato, avaliar projetos de lei dos quais sou relatora, escrever sobre o plenário (como prometi), sobre a avaliação do Voto Consciente...

Tem gente que nunca está contente. Consegui três horas para trabalhar sozinha, no horário em que meu rendimento é melhor (de manhã), e já estou reclamando que quero mais.

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A MAURREN É OURO!!!!!!!!!!!!!!

Batendo pino

Ontem dormi no sofá, no meio do jogo do Palmeiras (e foi melhor assim). Acordei no meio da madrugada (3 e pouco) com barulho de passarinho (tem um doido que canta a noite toda), achando que era o alarme da moto. Juro que ouvi “este veículo está sendo roubado” entre um chilreio e outro.

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Anteontem, desci – apressada, atrasada como quase sempre – para a garagem sem pegar o capacete da moto. Moro no 13º andar; o elevador é tão lerdo que quando alguém anda nele pela primeira vez pensa que está parado. Chegar à garagem e descobrir que precisa subir tudo de novo é de lascar.

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Hoje fui à Globo participar do SPTV e passei direto pela emissora. Segui dois quarteirões a mais na Berrini, crente que ficava logo adiante. Por sorte (?), o trânsito estava horroroso (é horroroso ali) e, enquanto esperava o sinal abrir, perguntei para uma pessoa na calçada “cadê a Globo?”. Tive de dar a volta no quarteirão – que não é pequeno. Na marginal, passei de novo do ponto certo, peguei o começo da Roberto Marinho e outro pedaço de Berrini parada.

Se eu estivesse de carro, teria fervido e fundido o (meu) motor. Se estivesse de bicicleta, faria meia-volta com a maior facilidade.

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De manhã, saí de uma sabatina promovida por alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco – fiz o maior sucesso; devia ter umas vinte pessoas no enorme Salão Nobre... – e passei pelo bandejão da faculdade. Lotado de gente (80% homens) assistindo à final do futebol feminino na Olimpíada, torcendo fervorosa, sincera e apaixonadamente. Muito legal – exceto pelo resultado.

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Ontem à noite estive no Dom Macário, uma entidade exemplar na Vila Maria, fundada décadas atrás por um monge beneditino. Ela tem núcleos sócio-educativos (que oferecem atividades diversas para centenas de crianças no contra-turno da escola) e cursos profissionalizantes para outras centenas de adolescentes e jovens até 24 anos. Um lugar bonito, bem cuidado, atraente, que só não atende mais gente por falta de recursos – interesse, há de sobra. O curso de panificação, por exemplo, é um sucesso absoluto. E muita gente adoraria que houvesse o de cabelereiro.

A maior parte da grana vem de convênio com a prefeitura, mas ele não cobre todas as despesas. Doações de empresários da região? Tem não.

Por determinação legal, eles só oferecem qualificação profissional para jovens de até 24 anos. Mas participam do programa Ação Família, por meio do qual a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social faz contato com famílias em situação sócio-econômica difícil para inseri-los em programas diversos, na educação, na saúde...

O problema, contam os diretores do Dom Macário, é que o maior desejo das famílias é a requalificação profissional dos adultos. Das pessoas com 30, 40 ou 50 anos. Mas eles não podem atendê-las, então fica uma frustração imensa das duas partes. E o que seria melhor para a reinserção social do que a qualificação para o trabalho, a possibilidade de conseguir um emprego, trabalhar como autônomo ou abrir um negócio, conquistando a autonomia e a saída do sistema de proteção social?

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É tão legal conversar com quem está lá na ponta, com a mão na massa, e ouvir falar dos problemas, das grandes sacadas, dos desafios...

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Quando eles ainda podiam atender pessoas mais velhas, uma senhora de 56 anos fez o curso de eletricista. Quando foi comprar um fio para o ferro de passar, o rapaz da loja entregou um material que ela reprovou: “A amperagem do meu ferro é tal, a voltagem é não sei quanto, esse fio não vai agüentar. Traz um mais grosso”.

Não é uma delícia saber das coisas? Aprender e poder usar?

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Já fiz tanta coisa nos últimos sete dias que nem acredito. Manifestação do Greenpeace no Parque Vila-Lobos. Panfletagem em uma feira livre no Jardim Peri. Assisti a uma exposição (excelente!) sobre a demarcação contínua das terras indígenas na Reserva Raposa Serra do Sol. Dei uma entrevista para um TCC da Metodista (pessoalmente), Rádio Bandeirantes (idem), para o G1 (por telefone), respondi não sei quantas por email (sobre TCM, Plano Diretor, o centro da cidade, juventude, mobilidade, desenvolvimento econômico... Algumas com duas perguntas, outras com doze!). Estive no plenário, onde não aconteceu quase nada (preciso contar como foi na quarta-feira; o “quase nada” é importante, significativo). Fui ao debate da Região Episcopal da Brasilândia no domingo (já contei isso?), da Trópis, na Monte Azul (idem), do Nossa São Paulo na Penha (na segunda à noite). À redação do Grupo 1 de Jornais.

E o que eu deixei de fazer? Ainda não fui à Bienal do Livro, perdi a abertura de uma exposição ontem à noite, desmarquei uma reunião na segunda à tarde...

Devo estar esquecendo algumas coisas, mas agora é que não vou entrar na agenda para lembrar do que fiz. Vou é desligar o computador, comer alguma coisa e dormir na frente da televisão, vendo alguma coisa de Olimpíada. É bonito isso? Não é, mas tá acabando. A próxima (eleição, Olimpíada...) é só daqui a quatro anos.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Vamos brincar de ibope? (1)

O Estadão ia fazer um debate entre os candidatos à prefeitura.

A Marta e o Alckmin decidiram não ir, e o jornal cancelou.

A Gazeta ia fazer um debate entre os candidatos.

A Marta e o Alckmin não vão, e eles cancelaram também.

Quero só ver se vai ter o debate da Record.

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Os *&¨% dos assessores aconselham os candidatos que estão na frente nas pesquisas de intenção de voto a não ir aos debates – porque eles não teriam nada a ganhar e tudo a perder.

Acho o fim da picada.

Primeiro, achar que o debate pode ser assim tão decisivo. Teria de ser uma atuação desastrosa para perder votos potenciais, não? E eles temem ter uma atuação desastrosa, depois de tanta experiência, tanto preparo, tanto media training, tanto aconselhamento da assessoria?

Eu, hein...

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E pensar que um dos dois – no mínimo um dos dois – não vai se eleger.

Será que eles já têm um plano B?

Por que só perguntam para mim o plano B? (“O que você vai fazer se não se eleger?”)

O que será que a Marta vai fazer se não se eleger?

E o Alckmin?

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Hoje eu vi o nome do atual Ministro do Turismo. Juro que não lembro.

Engraçado, também não vi mais anúncios do ministério... Será que ele não tem mais projetos novos, que mereçam destaque?

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As pesquisas, as &¨%$ das pesquisas...

Segundo a última, do Ibope, a Marta subiu pra caramba (+7%). Quem caiu? O Alckmin (-5%)

Uai, a Marta tirou votos do Alckmin?

Faz sentido?

O que teria acontecido?

Em um mundo tão polarizado, em que muitos decidem seu voto não em função da preferência, mas da rejeição (“voto em quem tiver mais chance de derrotar que eu mais detesto”), teriam eleitores tucanos decidido se bandear para o PT?

Por que?

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No segundo turno, a posição deles teria se invertido. Antes, ele ganhava. Agora é ela.

Por que????

O que aconteceu para o Alckmin cair na intenção de voto desse jeito?

Não entendo.

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Na simulação de segundo turno entre Alckmin e Kassab, OS DOIS perderam votos em relação à pesquisa anterior. Também não faz muito sentido... Se um perdesse e o outro ganhasse, seria mais fácil de entender.

[continua abaixo]

Vamos brincar de ibope? (2)

Entrei no site do Ibope para conseguir informações mais precisas.

Na pesquisa estimulada, em que os eleitores olham para um disco com os nomes dos candidatos, Marta foi a escolhida por 41% dos entrevistados. Alckmin, por 26%.

Do jeito que esse povo ama o Alckmin, é muito esquisito que ele tenha 2/3 dos votos da Marta.

Na espontânea, em que apenas perguntam para o entrevistado “em quem você vai votar?”, sem mostrar nome nenhum, 33% disseram que não sabem ou não quiseram opinar.

33%!

Nessa mesma pesquisa, sabe quantos responderam “na Marta”? 29% (aumentou 5). O Alckmin, 14% (diminuiu 3).

Ou seja, precisa somar os dois para ganhar dos indecisos!!!!

Brancos e nulos somam 11% - o mesmo que Kassab + Maluf (6 + 5).

Indecisos + “não quero falar” + brancos e nulos = 44%. Mais do que Marta e Alckmin juntos.

Mas os analistas ficam discutindo até a possibilidade de a eleição ser decidida ainda no primeiro turno.

Mein gott!

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Expectativa de vitória

O IBOPE Inteligência perguntou aos eleitores quem será o próximo prefeito, independentemente de sua intenção de voto. A percepção para 45% dos entrevistados é a de que Marta será eleita. Já Geraldo Alckmin é citado por 32% e Gilberto Kassab por 6% dos eleitores.

O nome disso é “profecia auto-realizável”.

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Eu continuo com meus 2 ou 1%.

São Paulo é enorme, tem um mundo de gente que nem me conhece, outro tanto que conhece mais ou menos mas não sabe que sou candidata, outros sabem que sou mas mal sabem quem sou, outros sabem e me detestam e não votariam em mim nem para derrotar o Coringa do Batman. Ok. Descontando isso tudo, eu não represento a preferência de uma ou duas pessoas em cada cem. Tenho certeza absoluta de que é mais do que isso.

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Mas... As pessoas que preferem a mim perguntam (perguntam mesmo) “que adianta votar nela, ela não vai ganhar...”

Outros comentários ouvidos por aí: “Eu não vou votar nela [eu], mas quero que ela ganhe pr’aqueles todos lá ficarem com a cara no chão”; “Eu só não vou votar nela porque ela não vai ganhar”, “Eu votaria em você, mas sou amigo do Geraldo, lá de Pinda...”. (É, a gente ouve de tudo!)

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Ouve-se também “eu voto em você porque é bonita”, “eu voto em você porque é simpática”... Mas também “eu decidi votar em você depois do debate”. E “você é mais inteligente do que eu pensava”. (Eu perguntei – ele não pensava que eu fosse “inteligente”).

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Ainda sobre o debate: “Você precisa ser menos jornalista” (nem sei como é isso; o que é “ser jornalista” para “ser menos”); “precisa ser menos boazinha”; “você ficou com medo de ir para cima deles?”; “você precisa apresentar suas propostas na área de saúde”...

EXPERIMENTEM FALAR QUALQUER COISA APROVEITÁVEL EM 90 SEGUNDOS!!!

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Além dos muitos comentários sobre a minha franja (que também me incomodou sobremaneira), ouvi algumas broncas por não ter dito “boa noite”.

É verdade, foi mal. É que quando estou assistindo um debate, eu não faço a menor questão, fico impaciente para que o debatedor responda logo a questão. Então não falei, mas muita gente sentiu falta, se sentiu desrespeitada.

O pior é que ontem eu fui à Rádio Bandeirantes e também fui logo respondendo à primeira pergunta, sem dizer “bom dia”. Ma che estúpida.

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“A gente entende o que você fala!”; “você é a mais lúcida”; “você me inspira confiança”; “você conhece muito bem a cidade”; “que legal que você fala as coisas como elas são mesmo”... Esses comentários eu adorei.

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Voltando à &¨%$ da pesquisa: foram entrevistados 805 eleitores. OITOCENTOS E CINCO. 11 ônibus cheios.

Quero fazer uma experiência – sem nenhum, nenhum valor científico.

Convido todos os interessados/ curiosos a perguntar, para tantas pessoas quanto puderem (quantas puderem?), “em quem você vai votar para prefeito ou prefeita de São Paulo?”

Os entrevistados têm de ser, ao menos, maiores de 18 anos. De preferência, eleitores na capital – mas se for difícil fazer duas perguntas, ok, ficamos com uma só.

Cada entrevistador pode fazer sua listinha simples com as respostas – registrando também as opções “não sei”, “em ninguém”, “não quis responder”, claro.

Não vale perguntar para dois irmãos, pai e mãe e computar quatro votos. Tem de ser uma amostragem variada – o gerente do banco, o segurança, o garçom, o cobrador do ônibus, a advogada da firma, a diretora da escola, o pipoqueiro... Homens e mulheres, zona Norte e zona Sul, jovens e idosos...

Aí todo mundo pode postar comentários aqui: “3 votos para a Marta, 3 para o Alckmin, 2 para o Kassab, um para o Maluf, um para a Soninha, um para o Ivan, dois nulos”. Não vale mentir – caramba, qual seria a graça?

Se 80 pessoas fizerem 10 perguntas cada uma, teremos as 800 entrevistas. Não é difícil. Podemos ter muito mais!

E aí, vamos brincar de ibope?

Pra sair do aperto

Ah, não tô batendo pino, não... Acabo de ir ao dentista no dia errado. O certo é amanhã (ainda bem que não foi ontem).

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Ele ficou sem graça, como se a culpa fosse dele. "Desculpe, o rapaz das 8:30 já está aí...". "Imagine, fui eu que errei! Vou fazer o que estaria fazendo a essa hora - vou para o computador trabalhar. E eu ia pedir para ouvir o jogo do Brasil no celular, agora vou poder ver"

"Não, o jogo do Brasil é às dez". É, tô bem mesmo...

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Às dez vou estar na rua, participando de mais uma caminhada em homenagem aos sete moradores de rua assassinados há quatro anos. Depois, vou participar de um debate sobre políticas públicas para população de rua.

Incrível como se fala besteira a respeito desse tema. Uma das mais comuns, ultimamente, é reclamar que "o Cidade Limpa tirou os outdoors mas não tirou os mendigos da rua". Acho que esperavam que eles fossem recolhidos com pá de lixo e despejados em um caminhão. De preferência, daqueles com triturador.

Ou talvez esperassem a edição de uma lei assim: "A partir desta data, fica proibida a permanência de pessoas pobres, mal vestidas e mal cheirosas nas calçadas da cidade". Pronto!

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Banheiro público que é bom, nada...

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Conversando sobre isso (banheiros) outro dia, uma colega (Helena Werneck, Coordenadora de Mulheres do PPS) chamou a atenção para uma distinção básica - entre homens e mulheres.

Antes que alguém diga "Dã", reflitam sobre o seguinte: homem, "educado" desde pequeno para ser assim, faz xixi em qualquer lugar. Não é só "mendigo", não. Quando eu morava na Vila Madalena, a esquina do meu prédio (Mourato X Wizard) virava um mijódromo durante a noite - jovens universitários transformavam a parede da casa da esquina em mictório público, na maior cara-dura.

Minha mãe ficava louca da vida quando alguém sugeria que ela pusesse meu irmão (dois anos mais novo que eu) para fazer xixi em qualquer lugar ("homem é tão fácil!"). "Meu filho não é cachorro. As meninas vão segurar até aparecer um banheiro e ele também".

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O fato é que temos duas necessidades bem diferentes - uma, de mictórios públicos para homens, em grande quantidade. Outra, de banheiros para mulheres. E um ou outro banheiro "completo" para homens também.

Banheiro público tem um problema sério de manutenção, limpeza e segurança. O do metrô da Sé, por exemplo, virou ponto de michê anos atrás. (Não faço idéia como está agora).

Mictório público pode ser uma cabine semi-aberta, em que os pés, por exemplo, fiquem evidentes. Esquisito? Falta privacidade? Ué, mas eles vivem abrindo a braguilha em qualquer lugar!

Semi-abertos, naturalmente ventilados, impossíveis de servirem como ponto de emboscada para punguistas e outros mal-intencionados, fáceis de instalar, poderiam mudar rapidamente a paisagem (e principalmente o cheiro) da cidade.

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Fiquei sabendo que a Praça da Sé é lavada DEZ vezes durante um dia - e ainda assim não cheira lá muito bem.

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Nos lugares em que for possível, aí sem devem ser instalados banheiros completos - com porta (que feche), vaso sanitário, papel, pia, sabonete, prateleira para apoiar objetos, gancho para pendurar bolsas e mochilas, lixo e alguém tomando conta. Mas eles não precisam existir em quantidade tão numerosa.

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Pesquisando o tema na internet, encontrei coisas incríveis. Como o site Toilet Map, o "mapa nacional de banheiros públicos" da Austrália. Você pode localizar banheiros por região (Capital, Austrália Ocidental), na "sua área", "perto de um endereço", "em um ponto de interesse", "em uma latitude/ longitude", pelo CEP. As opções de busca incluem "horário de funcionamento", "facilidades oferecidas" e "acessibilidade". Você pode também "sugerir um banheiro". E "planejar sua viagem", identificando antecipadamente os pontos de parada durante uma jornada. E pode criar o seu mapa pessoal de banheiros, anotando os favoritos.

Não está satisfeito? Existe um pequeno questionário para quem quiser ajudar a melhorar o site. E um telefone para tirar dúvidas, se necessário.

I-na-cre-di-tá-vel. E ela (a Austrália) tem a mesma idade que nós (Brasil).

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Também existe um mapa mundial de banheiros, em Public Toilets. Se estiver apertado em Nokiaville, na Finlândia, ou Menomonee Falls, nos Estados Unidos, pode descobrir onde fazer xixi antes mesmo de sair de casa.

Não, o Brasil não está no mapa.

Na Grã-Bretanha, existe a British Toilet Association, por mais e melhores banheiros públicos. Que tem boas notícias a respeito de sua campanha política: "O Departamento de Governo Local e Comunitário publicou seu Guia Estratégico, intitulado "Aperfeiçoando o Acesso Público a Banheiros de Melhor Qualidade".

Um trecho do documento: "O governo quer encorajar as pessoas a deixar o carro em casa e usar mais o transporte público, e é mais provável que elas o façam se estiverem confiantes de poder usar banheiros limpos e acessíveis ao longo de seu deslocamento".

E, pelo que entendi, alguns banheiros público foram feitos com recursos obtidos com a construção do Estádio de Wembley, que teve de financiar algumas melhorias no entorno.

A associação comemora seus "esforços reconhecidos depois de 10 anos de luta" por "melhores banheiros para todos". "Os banheiros públicos britânicos já foram invejados no mundo todo. Nos últimos anos, um número significativo de banheiros foi fechado. Vamos parar com a deterioração".

Uma das maneiras de participar da campanha é escrever na seção "Salve nossos Banheiros - Diga o que está acontecendo aos banheiros públicos na sua região".

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A Wikipedia tem uma página sobre banheiros: Toilet. Ela tem ilustrações de vários tipos de banheiros abertos - alguns até mais abertos do que eu estava imaginando.

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Existe também a World Toilet Organization (WTO), uma organização internacional sem fins lucrativos comprometida com a melhora das condições sanitárias no mundo todo. Incrível que ainda estejamos nesse ponto... 2008 foi estabelecido pela ONU como "o ano do saneamento básico". Faltam 4 meses para acabar o ano... Será que fizemos progressos significativos?

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Tem até banheiro que funciona muito bem sem água - veja aqui: mictório ambientalmente correto

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Empresários e executivos que trabalham no centro da cidade, como Antonio Ermirio de Moraes, já reclamaram várias vezes das ruas usadas como mictório. (Aliás, quem nunca reclamou?) Tive uma idéia- que tal banheiros públicos patrocinados pela CBA, ou generosamente doados à cidade?

Eu sei, eu sei que ele tem uma participação importante na Beneficência Portuguesa. È que, sei lá, em ano olímpico eu sempre fico com a impressão que todo mundo pode dar mais um pouco de si...